quarta-feira, 16 de abril de 2025
comentários -Vilmar Troian- Contribuição- padre Antonio Seganfreddo
quinta-feira, 10 de abril de 2025
CARTAS MANUSCRITAS ANO DE 1898-PADRE ANTONIO SEGANFREDDO ESCREVE AO PADRE JOSÉ MOLINARI
terça-feira, 8 de abril de 2025
CARTA TRADUZIDA ANO DE 1898- PADRE ANTONIO SEGANFREDDO ESCREVE PARA O PADREJOSÉ MOLINARI
Capoeiras 21 de novembro de 1898
Ao
Reverendissimo Senhor Reitor
. “O Sr. se queixou de meu longo silêncio. Tem razão. Mas agora, com essa minha longa carta , pretendo suprir o silêncio passado. E o Sr. fará a gentileza de lê-la toda antes de jogá-la no cesto do lixo.. No início do corrente mês, mediante o cônsul italiano de Porto Alegre, lhe despachei um vale de 206 liras italianas ouro, rogando-lhe o obséquio de fazer celebrar 60 missas na minha intenção. É primeira vez que lhe envio dinheiro e vejo-me obrigado pela necessidade a pedir o compromisso destas missas; mas no futuro não será mais assim! Enviarei dinheiro sem o compromisso de missas. Pus em ordem todos os meus compromissos e minhas obrigações e não me resta mais nada a pagar.. Encontro-me há dois anos neste Brasil e, especialmente desde setembro de 1897, sempre fui perseguido. Agora parece que a tempestade esteja amainando e se acalme a procela. O Pe. Pedro Colbachini não diz mais nada por enquanto a meu respeito. Estou porém pressentindo que devo ficar alerta.. E, na medida do possível, agora somos até bons amigos, suportando tudo sem retrucar . Deu-me um apelido que não me vai nem bem nem mal: chama-me “o astuto cimbro”, pois sabe que sou descendente dos cimbros. Tenho ombros largos e aguento tudo. Certo é que não me encontrou tão debilitado quanto esperava! Não sei por qual razão o Pe. Pedro queria expulsar-me destas colônias e para (realizar) seu plano utilizou-se de calúnias. Escreveu ao Bispo de Porto Alegre dizendo-lhe: o Pe. Antônio não sabe a moral. Tive que prestar exames relativos ao sacerdócio : uma desonra para o Instituto ao qual pertenço ! Caluniou-me também de ter realizado um matrimônio nulo de um casal de poloneses. Logo que fui advertido, examinei os papeis e ,abri os registros e encontrei que o tal do matrimônio foi celebrado pelo muito reverendo Pe. Colbachini. Então contei ao Bispo como estavam as coisas e a admoestação caiu sobre as costas do Pe. Pedro, ao qual aconteceu a mesma sorte dos pífanos da montanha: em vez de tocar, ficaram tocados! Também se isso tivesse sido verdade, por que escrever logo aos Superiores? Podia chamar-me à atenção e procurar o modo de pôr tudo em ordem, sem espalhar a notícia. . Eu sei que o Pe. Pedro celebrou outros casamentos nulos; e eu, antes de falar, escrevi ao Bispo e ele, com a resposta, me orientou o que devo fazer. Deste modo, até agora tudo correu muito bem. As raposas velhas não caem tão facilmente na arapuca! Se eu dissesse que entreguei ao Pe. Pedro mais de um conto de réis, ele me excomungaria. E, no entanto, foi isto que aconteceu! Hoje ele nega. Paciência! De setembro de 1897, época em que o Pe. Pedro me advertiu que não mais me queria sob sua autoridade, até o dia de hoje, realizei o que segue: 1º - Por ordem expressa do Pe. Pedro, tive que entregar ao senhor Giuseppe Faedo 65$000 mil réis, para indenizá-lo das 500 liras italianas que ele deixou no Instituto de Placência, para a minha viagem. 2º - Celebrei 133 missas pelos Revmos padres Francisco Brescianini e Faustino Consoni, tendo eu pedido uma soma correspondente para poder ir em viagem até Alfredo Chaves. Os padres do Paraná também me faltaram com a fraternidade. ! Eu, para trazer o baú deles(material) , tive que gastar as 220 liras que ainda possuía e quando cheguei a Santos: entre hotel, o serviço dos carregadores, a alfândega, a viagem, etc.,e fui até Curitiba entregar o material quando cheguei lá não sobrava mais um vintém. E tive que dormir num barracão, sobre um pouco de palha, porque não tinha dinheiro para o hotel. Eles, por sua vez, não me deram nem um réis em compensação. Que fineza de consciência! Que caridade fraterna! Faz rir até os postes! Eu não dei importância ao fato, mas fiz uma figura mesquinha junto aos meus Superiores. 3º - Paguei a viagem de minha desventurada família, de Minas a Porto Alegre, e lhe prestei ajuda quando se encontrava em necessidade extrema, na falta de tudo. Meus irmãos prometeram restituir tudo, mas tenho receio que as coisas irão demorar um tempo . Cosa Vuto? Tenho aqui dois irmãos que moram em Nova Bassano, um tem seis filhos e o outro sete. Portanto eu não sei quanto tempo levarão para me restituir o empréstimo. Eles têm boa intenção. Os terrenos de sua propriedade são de ótima qualidade. Esperemos que tudo corra bem! De minha parte, hei de solicitar a restituição assim que começarem a receber pelos produtos excedentes.. Um de meus sobrinhos está com o Pe. Pedro; é o seu Benjamim. Quer enviá-lo para o Seminário, talvez em Placência. Por enquanto o seu mestre é o Pe. Serraglia. 4º - Comprei um cavalo para meu uso. Custou-me 130$000 mil réis. O Pe. Pedro tinha-me comprado um, como o meu próprio dinheiro, mas quando decidiu não me considerar mais seu coadjutor , tirou-me cavalo e o vendeu, deixando-me com o cavalo de S. Francisco. Faz somente dois meses que o comprei. Só agora fiz isto, porque antes quis saldar os meus compromissos. Mas Deus Nosso Senhor me foi propício, conservando-me sempre com saúde, forte e robusto mais do que o Pe. Pedro, que se apresenta com um cavalo que deixa todo mundo de queixo caído, um animal fabuloso como aquele de Hércules, Aquiles, Orlando e Ricieri, etc. Quando o demônio me tenta e me traz à mente as traições que me fizeram os caros confrades, eu perco as estribeiras e de bom grado tomaria um porrete e bateria neles sem piedade, na esperança de que semelhante lição os levasse a pôr em prática a virtude da caridade, tanto recomendada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Digo-lhe a verdade, Sr. Reitor, semelhante tratamento não me teriam reservado nem os leigos, nem mesmo os mais ferrenhos anticlericais de nossos dias. Mas resisto à tentação e a afasto cantando alguma canção. 5º - Fiz preparativos para construir aqui uma nova igreja. Para animar a população encomendei, às minhas custas, 10.000 tijolos; mas ainda não terminei de os pagar. Note, porém que, para fazer tudo isto, recorri aos colonos e todo mundo correspondeu, vindo em meu auxílio e trazendo-me, além de outras coisas, mais de 50 sacos de trigo. Parte dele o vendi a 14$000 mil réis, e outra parte, a 12$000 ao saco. Os colonos me querem bem, e isso sem merecimento de minha parte. Nunca me deixaram faltar nada, e levaram para minha casa todo o bem de Deus, de modo que eu não tive que gastar praticamente nada para viver. Foi por isso que pude pagar todas as minhas dívidas e compromissos. De quanto lhe estou dizendo fica evidenciado que os auxílios prestados à minha família não são outra coisa senão a caridade dos colonos, sem causar dano a ninguém Fiz também uma severa economia em tudo, comendo polenta e bebendo o vinho dos Apóstolos, isto é, água. Agora, porém, encontro-me sem roupas, sem mesmo o necessário para viver. Mas, se num ano ou pouco mais pude fazer tanto, para o futuro, se Deus me deixar saúde, tenho fé que colocarei em ordem tudo, embora em quantidade menor, pois me foram tiradas 300 famílias. O Pe. Pedro não cessou e nem cessará de me perseguir, não às claras, mas na surdina. Escreveu, e conseguiu do Bispo de Porto Alegre trazer sob sua jurisdição 300 famílias que pertenciam ao meu curato de Capoeiras. Deste jeito, pobre de mim, restam-me somente 350 famílias. Eis aí o motivo porque poderei fazer menos no futuro. Assim, vai se expandindo o território do Pe. Pedro e eu desejo ir me restringindo sempre mais e viver esquecido pelo mundo inteiro. Com esta divisão, o Pe. Pedro atraiu sobre si a ira dos colonos, e estão protestando.. Ele tem sob seus cuidados mais de 1.300 famílias. Ele fundou sua sede fora do centro, antes, num ângulo. Assim, os que moram mais longe não podem chegar à igreja de Nova Bassano, nem mesmo com um dia inteiro a cavalo. No meio desta selva
, os doentes morrem sem sacramentos. Eu corro para todos os lados, mas não chego a atender a todos. E, depois, o Pe. Pedro não me permite que vá ao seu território. Tenho ordem do Bispo para atender os doentes da sede de Alfredo Chaves, porque o Vigário, sendo velho de 73 anos e tendo mais de 2.000 famílias, não pode e não quer sair para ungir os enfermos. Por causa disso, tenho que fazer viagens de até 12 horas a cavalo; e sem nenhuma recompensa. Faço-o de bom grado. : Nosso Senhor me recompensará! Se o Pe. Pedro tivesse fundado sua sede aqui em Capoeiras, teria sido muito mais cômodo, porque aqui existe a estrada geral que atravessa todas as linhas, enquanto em Nova Bassano não existe essa facilidade .. Os colonos devem caminhar sempre no meio do mato, por travessões estreitos e intransitáveis. Que faça como quer, e esteja a seu gosto! Durante o inverno, porém, aqueles pobres colonos, que estão sob a jurisdição de Nova Bassano, devem ir ao Pe. Pedro e pedir um certificado, ou seja, obter licença para vir batizar seus bebês aqui em Capoeiras, coisa que só serve para atrapalhar. E falam muito mal. Aqueles colonos exasperados dizem - e com razão: Como é possível levar até Nova Bassano uma criança, através daquelas estradas perigosas ? Um jeito muito simples para remediar essa situação haveria se os Revmos Superiores de Placência dessem ordem para que o Pe. Antônio Seganfredo e o Pe. Serraglia morassem na mesma sede , e encaminhassem ao Bispo de Porto Alegre o pedido de reconhecer tal fusão e de entregar aos mencionados padres a jurisdição sobre as novas Linhas - quatro das quais pertencentes à sede de Capoeiras e as outras cinco àquela de Alfredo Chaves - estaria tudo resolvido. O Pe. Pedro, que ficaria sozinho, e seria mais do que suficientes as cinco Linhas de Nova Bassano. Esta solução seria um bem para mim, pois ganharia um coirmão de confiança; seria um bem também para o Pe. Serraglia, pois aqui comigo teria ocasião de se exercitar em seu ministério, enquanto com o Pe. Pedro não pode fazer nada, pois ele não transfere responsabilidade.. O Pe. Serraglia viria de boa vontade. Já falamos nisso. Um dia ele chegou até a dizer: Quanto seríamos felizes nós dois, se pudéssemos morar juntos! Pelo menos eu – disse o Pe. Serraglia – poderia me exercitar. Até que permaneço com o Pe. Pedro eu não vou aprender coisa alguma e ficarei um pobre homem. Da mesma forma, seria um bem para o Pe. Colbachini, pois cessariam todas as iras e discórdias contra ele, e terminariam também as brigas do Pe. Pedro com os vigários das paróquias confinantes, pois ele não consegue ficar em paz, e sempre levanta questões. Se o Pe. Pedro ficasse sozinho nas cinco Linhas de Nova Bassano, não teria divisa com outra curasia , pois dois terços daquele território ficariam cercados por uma selva desabitada, e do outro lado, pelo rio Carreiro, rápido e cheio de precipícios. Seria, enfim, coisa boa para o nosso Instituto, pois teria a certeza de receber de nós ajuda e socorro mais do que os nossos Rev.mos Superiores esperam. Esta é a pura verdade. Rev.mos Superiores, eu escrevo o que me dita o coração e a consciência. E não sou criança para tomar as coisas pela primeira impressão, sem ponderar direito os aspetos favoráveis e contrários. Sem buscar interesses, desejo a ordem e o bem, e nada mais. Tenho certeza de que, se meus Rev.mos Superiores não tiverem perdido completamente a estima do pobre Pe. Antônio Seganfredo, hão de prestar ouvidos às minhas justas causas , razoáveis e objetivas considerações. Se, pelo contrário, continuarem a dar crédito às calúnias do Pe. Pedro Colbachini a meu respeito, então estará tudo terminado para o pobre Pe. Antônio Seganfredo, o qual não terá mais voz no capítulo. Se as coisas tomarem esse rumo, então eu vou dar aos Revmos Superiores o mesmo conselho que deu o Pe. Pedro Colbachini a meu respeito aos Superiores de Placência - repito as palavras textuais de Colbachini, encontradas por mim mesmo numa carta endereçada a Dom Scalabrini – “Seja expulso da Congregação o Pe. Antônio Seganfredo, corte-se quam primum esta árvore infestada, antes que produza frutos que desonrem a nossa Congregação”. E continua: “Ele se fez padre sem vocação, e só para não trabalhar e para fazer vida mais cômoda (Aplausos! Basta que depois de ser padre se venha para cá no Brasil para garantir vida cômoda!) usando meios ilícitos também para com Deus, obrigando-o a realizar seu projeto de ser fazer padre”). Esta última frase não se encontra na carta. Ele, porém, a disse muitas vezes em presença do Pe. Antônio Serraglia o qual, conhecendo-me há dez anos e estando em contato comigo, ficou muito admirado. O que referi é somente uma parte das trapalhadas e originalidades daquele destrambelhado. Deixo fora o resto! Digam-me agora os Revmos Superiores o que fariam se estivessem em meu lugar. Aguardo resposta! Dirão que devo carregar pacientemente a cruz. Mas eu sou tão fraco e ela, de vez em quando, é pesada demais! Se, depois, tiverem pensado em me expulsar da Congregação, quando o Sr. me escrever, queira me comunicar também o que estou devendo ao Instituto, e imediatamente saldarei minha conta. Advirto, porém, que se isto acontecer, logo que tiver terminado de cumprir minhas obrigações, vou me retirar numa selva, porque estou cansado, cansadíssimo deste Mundo canalha! Rogo-lhe, porém a bondade de não encarar negativamente esta minha conversa, porque a mim agrada dizer as coisas claramente, dando o nome aos bois, sem preâmbulos e meias medidas. Saúdo-o, Sr. Reitor, rezo e rezarei sempre a Deus por todos, também pelo Pe. Colbachini. Todos os dias, na missa, faço um momento especial. Dê lembranças também ao Rev.mo Monsenhor Costa, Dalle Piane, Germano, Antônio e João e a todos os coirmãos. A S. Ex.a, o Sr. terá a bondade de dizer alguma coisa em meu favor. Dirá que, mais do que tudo, me desagradam estas discórdias, porque são motivo de tristeza para seu ótimo coração.
Sou seu servo Pe. Antônio Seganfredo
Fontes de pesquisa:
-Raízes de um povo- Dom Redovino Rizzardo
-Pioneiros Scalabrinianos no Rio Grande do Sul
-História Oral Eda Seganfreddo Padão
-Arquivo da congregação Scalabriniana em Roma- Giovanni Terragni
-Parecer da tradução:Clea Ana Seganfredo
-colaboração de Vilmar Antonio Troian
-melhoramento da visibilidade da cartas manuscritas- Fernanda do Canto
Observações:
O padre Antonio Seganfreddo viveu isolado , praticamente dos coirmãos, ele se valia de parentes para ajudá-lo e acompanhá-lo, o irmão Carlo era sacristão, meu avô Pellegrino filho do irmão Giuseppe o acompanhava e inclusive o meu tio José Seganfredo com 12 anos o acompanhava a cavalo pelas colônias,
-A carta foi escrita um ano depois que o padre Antonio Seganfreddo foi buscar a família do Carlo e os pais em Minas Gerais. Ele pediu dinheiro emprestado para ir buscá-los e demorou mais de três meses porque era precário o meio de transporte da época: a cavalo ou barcaça até São João de Montenegro, de lá precisava tomar um navio a vapor da guarda costeira e ir até São Paulo. Em São Paulo pediu dinheiro emprestado aos coirmãos do Instituto Cristóvão Colombo no bairro Ipiranga. Depois provavelmente pegou um trem até Juiz de Fora Hospedaria Horta Barbosa onde ficaram por uns dias, onde descobriu em qual lavoura estavam. Como ele era um padre, provavelmente conseguiu mais facilmente tirá-los de lá.A viagem de volta foi no mesmo roteiro.
O padre Pedro não havia autorizado a viagem , porém alguns coirmãos o incentivaram.
Aqui ele conta que ao voltar o padre Pedro Colbachini o deixou de lado. Ele permaneceu em Capoeira, Nova Prata porque havia muito trabalho.
O padre Pedro neste meio tempo escreveu uma carta a Giovanni Battista Scalabrini e outra ao padre Antonio. Quando foi envelopar as cartas trocou-as sendo que a que era para Scalabrini caiu nas mãos do padre Pedro e vice-versa. Então o padre Antonio ficou sabendo do teor da carta.
Padre Antonio escreve aqui que havia muitos problemas, porque naquela época a rudeza dos colonos levava a cometer atos falhos, como fazer casamentos que estariam fora da lei da Igreja. e encontraram alguns, mas o padre Antonio escreve que um matrimonio de polacos dado como falho quem oficiou foi o proprio padre Colbachini.Que quando desconfiava de alguma falcatrua dos colonos se dirigia ao bispo de Porto Alegre e recebia as instruções.
Escreve também que ao chegar em 1896 trazia uma caixa com vários objetos que devia levar até Curitiba. Lá Chegando não tinha dinheiro para vir até a Colônia Alfredo Chaves. Não recebeu ajuda dos confrades e teve de dormir em um galpão sobre as palhas por não ter dinheiro para pagar hotel
O sobrinho a que ele se refere que estava com o Padre Pedro e padre Antonio Serraglia era Cirillo Seganfredo , filho de Carlo e Maria Joana. De fato Cirillo estudou depois em um seminário em Porto Alegre, foi para a Itália prestar serviço militar em Maróstica. Retornou, ficou um tempo em Rio Claro-SP lecionando na extensão do Instituto Cristóvão Colombo- que era destinado a acolher órfãos , licenciou-se depois da morte do Padre Antonio em 1912-os estatutos do Instituto para imigrantes de Piacenza permitia- casou-se com Maria Soccol. Foi o único que não trabalhou como agricultor. Tive o prazer de encontrar vário filhos do meu tio bisavô Cirillo Seganfreddo na festa em 2013 em Nova Bassano. Tendo também o dom das artes, Cirillo foi maestro da banda bassanense,posteriormente se apresentou nas temporadas de ópera no Teatro São Pedro. Depois casado com Maria Soccol foi sócio do Frigorífico Sul Riograndense. Com a industrialização também a banha que era considerada o ouro branco deu lugar ao óleo industrializado , fecharam os frigoríficos e deram lugar a empresas industrializadas. Com ligação com a Itália, Cirillo passou a importar e vender moinhos de cilindro.
Como se lê em 1899 faleceu o nosso patriarca Pellegrino Seganfreddo, a mãe foi morar com o filho Giuseppe em Nova Bassano e provavelmente dividiram o lote 37 , Ramiro Barcellos perto do Monte Paréo .Lá, Carlo e Giovanna abriram um pequeno comércio, que infelizmente foi destruído por um incêndio provocado por um rojão que caiu sobre a casa. Perdendo a bodega foram morar em Nova Bassano, Maria Volpato, Carlo e Giovanna com os filhos menores. Ali eles continuaram como uma pequena hospedaria ..
-Padre José Molinari- esteve na missão em Curitiba, mas adoeceu depois de um certo tempo. Geralmente os padres missionários adoeciam pela dificuldade na missão, Voltou um tempo para a Itália, trabalhou na América do Norte e em 1900 faleceu com apenas 44 anos de idade
Por isso devemos ler e venerar estes missionários italianos que deram a vida pelos imigrantes europeus. Não era só italiano o imigrante, havia poloneses, russos, ucranianos, alemães..
-
CARTA DO PADRE ANTONIO SEGANFREDDO A jOSÉ MOLINARI- ANO 1898
Capoeiras 21 novembre 1898
Molto Reverendissimo Rettore
Si è lagnato del mio lungo silenzio, ha avuto ragione ma con questa lunghissima chiacchierata intendo di supplire al silenzio passato e la’ avrá la complasiensa di leggerla tutta prima di stracciarla.
Ai primi del corrente col mezzo del console italiano di Porto Alegre le ho spedito un vaglia di italiane lire 206, in oro, pregando di far celebrare N° 60 messe secondo la mia intenzione. Per la prima volta che le spedisco del denaro, son costretto dalla necessità di accompagnarlo coll'obbligazione delle suddette messe, ma per l'avvenire non sarà più cosi; le spedirò del denaro senza l’obbligo delle messe; ho accomodato e soddisfatto tutti miei impegni e le mie obbligazioni e nulla più mi resta. Trovandomi da due anni in questo Brasile e specialmente dal settembre 1897, fui sempre perseguitato; ora sembra che la tempesta vada un po’ scemando e si acquieti la procella. Il padre Pietro Colbacchini non dice per ora più nulla al mio carico; bene inteso che devo stare in guardia, e siamo anche buoni amici per quanto si può; sopportando tutto senza farne parola. Mi appiccicò un nome che non mi va, né bene né male, e mi chiama l’astuto cimbro”, perché sa che son discendente dai Cimbri. Ho buone spalle e sopporto tutto; certo che non mi trovò tanto debole come si credeva. Non so poi per quale ragione volesse il P. Pietro farmi scacciare da queste colonie, e per ottenere il suo intento usò delle calunnie. Scrisse al Vescovo di Porto Alegre dicendogli: ‘Il Padre Antonio Seganfreddo non sa la morale; dovetti portare li mie rispettabili canizie innanzi a Mons. Vescovo e dovetti dare gli esami; poco onore all'Istituto. Poi mi calunniò di aver fatto un matrimonio polacco nullo. Ricevuto l'avviso, esaminai la cosa, ho aperto i registri e trovai che quel tal matrimonio era stato fatto dal Mol. Rev. P. Colbacchini. Allora dissi al vescovo come era la faccenda e il monito cadde sopra il P. Pietro, e toccò a lui quello che toccò ai pifferi di montagna; restò suonato. Se ciò fosse stato anche vero, perché scrivere subito ai superiori? poteva avvertirmi e cercare il modo di accomodare la cosa senza pubblicità. Io so che il p. Pietro ne ha degli altri matrimoni nulli, eppure io non feci parola a nessuno. Io quando conosco che un atto é dubbio non lo compio, se prima non lo ho scritto al Vescovo; ed dice ed egli colla risposta mi dice che cosa devo fare, e così finora tutto andò benissimo. Le volpi vecchie non si lasciano tanto facilmente a prendere alla tagliola(trappola), Se io avessi a dire di aver consegnato al P. Pietro più di un Contos di réis mi farebbe scomunicare eppure la cosa é così; ha negato a quest’oro. Pazienza. Dal 7 settembre 1897, tempo in cui il P. Pietro Colbachini mi avverti con lettera che non mi vuole più sotto la sua potestá , e fino al giorno d’oggi ho eseguito quanto segue:1- Per ordine e comando di P. Pietro ho dovuto consegnare al Faedo Giuseppe 650,000 Milréis e questi per risarcirlo delle 300 lire italiane lasciate all'Istituto di Piacenza per mio conto, cioè per il viaggio- ( viaggio Italia-Brasile anno 1896). 2. Ho celebrato 133 messe per i P. Reverendissimi Francesco Brescianini e Faustino Consoni, avendo io domandato tale somma corrispondente onde poter terminare il mio viaggio fino ad Alfredo Chaves (Colônia Alfredo Chaves). Buffoni anche i padri del Paraná. Io per condurre a loro cassa (baule con oggetti vari) ho dovuto consumare le 220 lire che ancora mi restavano quando giunsi a Santos; e tra hotel, facchinaggio e dogana, viaggio, ecc. quando fui a Curityba non ne aveva un centesimo e dovetti dormire in un baraccone su un po’ di strame per non aver denari di andare all’hotel; e non diedero neppure un réis in compenso. Che coscienze grosse; che carità fraterna da far ridere anche i polli. Per me è stato lo stesso, ma intanto ho fatto meschina figura verso i miei R.R. Superiori. 3- Ho pagato il viaggio da Minas Gerais a Porto Alegre alla mia sventurata famiglia e l’ho aiutata quando si trovava all’estrema necessità e nei bisogni piú urgenti. I miei fratelli mi hanno promesso la restituzione
ma temo che andrà un po’ per le lunghe. Che vuole Signore Rettore? Ho qui due fratelli che abitano al Novo Bassano; uno ha sei figlioli e l'altro sette e per conseguenza non so come faranno la restituzione. Intanto hanno buona intenzione; i terreni che posseggono sono di buonissima qualità! speriamo bene, li solleciterò. Uno dei miei nipoti é col Padre Pietro, è proprio il suo Beniamino, lo vuol mandare in seminario, forse a Piacenza. Per ora il suo maestro é il padre Serraglia. 4-Ho comprato un cavallo per mio uso, mi costò 130$000mil réis. Il padre Pietro me aveva comperato uno ben inteso coi miei denari, ma quando mi scacciò, me lo tolse, e lo ha venduto, lasciandomi a piedi col cavallo di San Francesco; e sono soltanto due mesi che lo ho comperato. Feci questo perché prima ho voluto adempiere alle mie obbligazioni. Ma il Signor mi compensò lasciandomi sempre sano, forte e robusto, più del padre Pietro che sempre cavalcò un cavallo che è l'ammirazione di tutti, e si può dire che sia un cavallo favoloso come quello di Ercole, Achille, Orlando, ecc.
Quando il diavolo mi tenta e mi fa venire in mente le azioni che mi hanno fatto i Rev.mi confratelli , me viene la mosca al naso e prenderei volentieri in mano un nodoso bastone e li bastonerei senza pietà, sperando con simile lezione, che avessero avessero da mettere in pratica la virtù della carità tanto raccomandata da Nostro Signore Gesù Cristo .Le dico il vero signor Rettore che simili azioni non me le avrebbero usate neppure i secolari, neppure i più spietati mangia pretti dei nostri giorni . Ma non mi lascio vincere dalla tentazione e la scaccio cantando una qualche strofa. 5- Ho fatto preparativi per costruire qui una nuova Chiesa, e per animare la popolazione feci fare a mie spese 10.000 mattoni, ma non ho ancora terminato il pagamento. Noti però che per far tutto questo ho ricorso ai coloni e tutti corrisposero e vennero in mio aiuto, portandomi ogni prima di tutto piú di 50 sacchi di frumento; l'ho venduto una parte a 14.$000mil réis e l’altra a 12$000milréis . Mi vogliono bene i coloni, e questo senza alcun mio merito. Poi non mi hanno lasciato mancare nulla e mi portarono alla mia casa ogni ben di Dio, sicché per vivere io non ho speso, si puó dire , nulla affatto e per questo potrei pagare tutti i miei debiti e tutte le mie obbligazioni . E da tutto questo ne risulta che gli aiuti prestati alla mia famiglia altro non sono che la caritá dei coloni, senza recar danno a nessuno.
Ho fatto anche una stretta economia in tutto mangiando polenta e bevendo il vino degli Apostoli, cioè acqua. Ora poi me trovo senza vesti, mancante anche del necessario alla vita, ma se in un anno poco più ho potuto far tanto per l'avvenire, se Iddio mi lascia la salute, spero accomodare anche il resto, bene inteso , in minor quantità , perché mi furono tolte 300 famiglie. Il padre Pietro non ha cessato né cesserà di perseguitarmi, bene inteso alla sordina. Scrisse ed ottenne dal vescovo di Porto Alegre di avere sotto la sua giurisdizione 300 famiglie che appartenevano alla mia cura della Capoeiras. Così a me restano soltanto 350 famiglie, ecco la ragione per la quale farò meno per l’avvenire. Che si allarga il padre Pietro ed io desidero di restringermi sempre più, e di vivere dimenticato dal mondo intero. Il padre Pietro per questa divisione si tirò addosso l’ira e l’odio dei coloni e nulla si fa di bene. Egli ha sotto la sua cura piú di 1300 famiglie; egli ha fondato la sua sede fuori del centro , anzi in un angolo. ed i più lontani non possono arrivare alla chiesa del novo Bassano, neppure in un giorno intero a cavallo. Intanto gli infermi muoiono senza sacramenti. Io corro dappertutto, ma non posso attendere a tutti e poi don Pietro non mi permette che vada sul suo territorio. Ho ordine dal vescovo di Porto Alegre di andare per gl’infermi della sede di Alfredo Chaves, perché il vicario vecchio di 73 anni ed avrà piú di 2.000 mila famiglie. non può e non vuole andare per l’assistenza degli infermi e per questo mi tocca fare viaggi anche di 12 ore a cavallo, e senza nessuna ricompensa. Lo faccio volentieri, il Signore mi ricompenserà. Se il padre Pietro avesse fondato la sua sede qui alla Capoeiras sarebbe stato molto piú comodo, perché qui c'è la strada carreggiabile che attraversa tutte le linee, mentre del Novo Bassano non c'è nulla; devono camminare sempre attraverso il bosco e per stretti sentieri impraticabili, che si accomoda, faccia a suo modo. Nell’inverno quei poveri coloni che sono sotto al Novo Bassano, devono andare dal P. Pietro e farsi fare un certificato, ovvero ottenere un permesso per venire a battezzare i loro bambini qui da me; cose che non stan bene, e dicono molto male, e fanno inasprire gli animi, e quei poveri coloni dicono con ragione: “Come è possibile con quelle strade sì perfide poter portare un bambino al Novo Bassano? Si potrebbe rimediare a tali disordini molto bene e con facilità, se i Reverendissimi Superiori di Piacenza comandassero che il p. Antonio Seganfreddo e il P. Antonio Serraglia fossero uniti e pregassero Monsignor Vescovo di Porto Alegre a voler riconoscere tale unione e volesse dare ai suddetti padri la giurisdizione sulle nove linee, quattro delle quali appartengono alla sede della Capoeiras e le altre cinque a quella di Alfredo Chaves. Al padre Pietro, restando solo, sarebbero più sufficienti le cinque linee del Novo Bassano. Questa decisione sarebbe un bene per me perché avrei un confratello di fiducia in mia compagnia. Sarebbe un bene pel P: Serraglia, perché qui con me avrebbe occasione di esercitarsi nel suo ministero, mentre col P. Pietro non fa mai nulla, e tutto vuol far lui. Il padre Serraglia verrebbe volentieri, ne abbiamo parlato.
Anzi un giorno mi disse: quanto felici se fossimo uniti noi due; almeno io, disse il p. Serraglia, potrei esercitarmi, e finché starò col p. Pietro io non imparerò mai niente, e resterò un povero uomo. Sarebbe un bene per il p. Colbacchini, perché cesserebbero per lui tutte le ire e le discordie e cesserebbero anche le dissensioni coi vicari confinanti col padre Pietro, perché egli non può stare in pace. Se il Padre Pietro restasse solo restasse colle cinque linee del Nova Bassano non confinerebbe con nessun vicario, perché sarebbe quel territorio circondato per due terzi da una selva disabitata e dall’altra dal Rio Carrero rapido e precipitoso. Sarebbe un bene per l’Istituto perché sarebbe certo di avere da noi aiuti e soccorsi più di quello che nostri Reverendissimi Superiori si aspetterebbero. Questa é la pura verità, dico ciò che mi detta il cuore e la coscienza. Reverendissimi Superiori e neppure sono un ragazzo che prenda le cose serie come prima impressione senza ponderarle bene. pro e contra e senza spirito di parti. Desidero l’ordine e il bene e niente altro. Se i miei Reverendissimi Superiori non avranno perduto del tutto la stima del povero Padre Antonio Seganfreddo son certo che daranno ascolto alle mie giuste ragionevoli e veritiere osservazioni.
Se poi avranno dato ascolto alle calunnie del P. Pietro Colbacchini verso di me , allora è finita per il povero p. Antonio Seganfreddo e non avrá piú voce in capitolo.
Se ció fosse, allora io darei ai miei superiori quel medesimo consiglio che ha dato il padre Pietro Colbachini ad mio riguardo agli stessi miei Superiori di Piacenza : ed io non faró altro che ripetere le testuali parole del padre Colbacchini trovate io stesso su d’una lettera indirizzata a Monsignor Giovanni Battista Scalabrini vescovo di Piacenza e mio Superiore Generale , nella qual lettera sta scritto a mio carico:” Sia scacciato dalla Congregazione il padre Antonio Seganfreddo si recida quam primum questo albero infetto prima che produca frutti disonoranti la medesima congregazione e continua “egli si é fatto prete senza vocazione e solo per non lavorare , e per far vita piú comoda (applausi, basta dopo essere preti venire qui in Brasile per far vita comoda), continua, usando mezzi illeciti anche verso Iddio, costringendolo , onde ottenere il suo intento e farsi prete‘’; quest’ultima frase non è sulla lettera, lo disse piú volte in presenza del P.Antonio Serraglia, il quale conoscendomi da dieci anni e sempre uniti, fece meraviglie. Ciò che le ho detto é soltanto una parte, lasciando tutte le altre peripezie e sciocchezze del suddetto (organo). Mi dicono Reverendissimi Superiori se fossero nei miei panni che cosa farebbero? Attendo risposta. Mi diranno, portar volentieri la croce, ma io son tanto debole e qualche volta pesa troppo. Se poi avranno pensato di scacciarmi dalla Congregazione, scrivendomi, prego a volermi mandare anche quanto devo all'Istituto e prontamente soddisferò tutto. E se ciò avverrà, appena avró terminato di adempiere ai miei doveri, mi ritirerò in una selva, perché son stanco e stanchissimo di questo mondo birbone.
Mi raccomando di non prendere in mala parte i miei detti, perché a me piace il dire le cose nette e tonde senza preamboli e senza finzioni.
La riverisco Sig. Rettore , prego e pregherò sempre il buon Dio per tutti; anche per il P.Pietro Colbacchini faccio sempre tutti i giorni un memento speciale nella Santa Messa. Così pure mi ricordi Rev. Mons. Costa, Dallepiane, Germano e l’ Antonio e Giovanni e tutti i miei confratelli. A Monsignor Vescovo poi dirà, Vostra Rev., qualche cosa per me; le dirà che piú di tutto mi dispiacciono queste discordie, perché sono causa di amarezze all’ottimo suo cuore.
Sono suo servitore
Padre Antonio Seganfreddo
Fontes de pesquisa:
-Raízes de um povo- Dom Redovino Rizzardo
-Pioneiros Scalabrinianos no Rio Grande do Sul
-História Oral Eda Seganfreddo Padão
-Arquivo da congregação Scalabriniana em Roma- Giovanni Terragni
-Parecer da tradução:Clea Ana Seganfredo
-melhoramento da visibilidade da cartas manuscritas- Fernanda do Canto
-colaboração- Vilmar Antonio Troian
Observações:
-carta transcrita com o italiano da época, muitas palavras não são mais usadas
-A carta foi escrita um ano depois que o padre Antonio Seganfreddo foi buscar a família do Carlo e os pais em Minas Gerais. Ele pediu dinheiro emprestado para ir buscá-los e demorou mais de tres meses porque era precário o meio de transporte da época: a cavalo ou barcaça até São João de Montenegro, de lá precisava tomar um navio a vapor da guarda costeira e ir até São Paulo. Em São Paulo pediu dinheiro emprestado aos coirmãos do Instituto Cristóvão Colombo no bairro Ipiranga. Depois provavelmente pegou um trem até Juiz de Fora Hospedaria Horta Barbosa onde ficaram por uns dias, onde descobriu em qual lavoura estavam. Como ele era um padre, provavelmente conseguiu mais facilmente tirá-los de lá.A viagem de volta foi no mesmo roteiro.
O padre Pedro não havia autorizado a viagem , porém alguns coirmãos o incentivaram.
Aqui ele conta que ao voltar o padre Pedro Colbachini o deixou de lado. Ele permaneceu em Capoeira, Nova Prata porque havia muito trabalho.
O padre Pedro neste meio tempo escreveu uma carta a Giovanni Battista Scalabrini e outra ao padre Antonio. Quando foi envelopar as cartas trocou-as sendo que a que era para Scalabrini caiu nas mãos do padre Pedro e vice-versa. Então o padre Antonio ficou sabendo do teor da carta.
Padre Antonio escreve aqui que havia muitos problemas, porque naquela época a rudeza dos colonos levava a cometer atos falhos, como fazer casamentos que estariam fora da lei da Igreja. e encontraram alguns, mas o padre Antonio escreve que um matrimonio de polacos dado como falho quem oficiou foi o proprio padre Colbachini.Que quando desconfiava de alguma falcatrua dos colonos se dirigia ao bispo de Porto Alegre e recebia as instruções.
Escreve também que ao chegar em 1896 trazia uma caixa com vários objetos que devia levar até Curitiba. Lá Chegando não tinha dinheiro para vir até a Colônia Alfredo Chaves. Não recebeu ajuda dos confrades e teve de dormir em um galpão sobre as palhas por não ter dinheiro para pagar hotel
O sobrinho a que ele se refere que estava com o Padre Pedro e padre Antonio Serragia era Cirillo Seganfredo , filho de Carlo e Maria Joana. De fato Cirillo estudou depois em um seminário em Porto Alegre, foi para a Itália prestar serviço militar em Maróstica. Retornou, ficou um tempo em Rio Claro-SP lecionando na extensão do Instituto Cristóvão Colombo- que era destinado a acolher órfãos , licenciou-se depois da morte do Padre Antonio em 1912-os estatutos do Instituto para imigrantes de Piacenza permitia- casou-se com Maria Soccol. Foi o único que não trabalhou como agricultor. Tive o prazer de encontrar vários filhos do meu tio bisavô Cirillo Seganfreddo na festa em 2013 em Nova Bassano. Tendo também o dom das artes, Cirillo foi maestro da banda bassanense,posteriormente se apresentava nas temporadas de ópera no Teatro São Pedro. Depois casado com Maria Soccol foi sócio do Frigorífico Sul Riograndense. Com a industrialização também a banha que era considerada o ouro branco deu lugar ao óleo industrializado , fecharam os frigoríficos e deram lugar a empresas industrializadas. Com ligação com a Itália, Cirillo passou a importar e vender moinhos de cilindro.
O padre José Molinari tinha saúde frágil, passou pela América do Norte, Curitiba,faleceu em 1900 com 44 anos de idade.
Por isso precisamos ler sobre os padres missionários, a maioria que acompanhava os imigrantes adoecia e quase todos morreram com pouca idade, a missão era árdua, deram a vida pelos imigrantes.
-
Como a lingua italiana naquela época apenas estava sendo difundida em todo território tem palavras que não se usam mais
domingo, 6 de abril de 2025
tajani - o insalubre
Não vale mais o fio do bigode
minha nonna- veio com 14 anos em 1897-nunca se naturalizou brasileira
segunda-feira, 3 de março de 2025
LETTERA DEL 1908 - DON ANTONIO SEGANFREDDO GIÀ MALATO CHIEDE AIUTO
Carta de Padre Antonio Seganfreddo enviada ao padre Domenico Vicentini então superior geral dos padres scalabrinianos em Piacenza- Itália.
Capoeiras 31 gennaio 1908
Molto Rev.mo P. Superiore Generale,
Ho ricevuto la sua carissima(cartina) del 19 passato dicembre e subito rispondo. Le cavallette continuano l'opera di distruzione, bene inteso in quelle linee dove non vollero distruggerle quando erano piccole. Qui alla Capoeiras spinti i coloni,, essi i negozianti dall’Intendente e dal vecchio prete, il quale per tre intere settimane fu anche lui ad uccidere le cavallette lavorando ed incoraggiando gli altri, dirigendo da mane a sera i lavori fino a quasi completa distruzione, ed i danni sono meschinissimi da non parlarne neppure . Non si sá poi quando avranno le ali che cosa faranno, perché, nelle linee 6 e 7 ovest dei polacchi e nell’ottavo del Novo Bassano degli italiani da Bergamo, i quali non vollero ucciderle a nessun patto, e ve ne sono una quantità immensa e tutto è distrutto e divorato. Non trovando nulla da mangiare dove sono nate, passano saltellando da una linea all'altra e per dove passano, distruggono tutto anche da coloro che erano liberati da quelle che erano nate sulle loro colonie. Reverendissimo Superiore, c'è un affare che fa spavento e si teme un massacro tra i coloni pigri e coloro che hanno lavorato per la distruzione, e questi ultimi soffrono il danno per cagione della poltroneria degli altri. Mancano ancora più di venti giorni prima che le cavallette possano volare ed intanto distruggono intere linee lasciando i poveri coloni nella miseria e disperazione.
La stagione è in buone condizioni. Il mese di gennaio fu oltremodo piovoso; mentre scrivo sono le due dopo mezzogiorno e se voglio scrivere devo accendere il lume; c'è un tempaccio che viene dall’ovest con tuoni e lampi e si prevede un abbondante acquazzone. Noti però che il padre Giorgio è andato al Turvo e per ragion della fiumana non ha potuto ancora ritornare alla sede, e si trova colà fino dal 12 gennaio corrente mese, il Plata (fiume Prata) non dà passo.
Le ragioni principali della mia risoluzione di venire in Italia sono tre. La prima di tutte perché l’incomodo intestinale mi impedisce di andare a cavallo. Seconda: non mi ascoltano più e conoscendomi non vorrebbero darmi niente. Terza: ho troppi conoscenti, paesani e parenti, i quali mi incomodano sempre e poi sempre, recandomi disturbi, noie, affanni e quel che è più, danni e più danni. Tutti i giorni ho sempre visite di poveretti. L’anno passato si è fatto il possibile per alleviare le miserie altrui ed hanno capito che è una buona strada e continuano a venire. Io poi non son capace di dire no a nessuno, e così la faccenda non va tanto bene. Di più, per ragion delle cavallette son venuti più di un centinaio di Bulgari fuggiti dalle loro desolate terre e questi sebbene lavorino, ma il lavoro non basta per tutti. Così le donne ed i piccoli vengono alle porte e non partono se prima non si dà loro da mangiare, Per questo sarebbe poca cosa, se i coloni dessero al curato la giusta mercede; ma non è loro colpa; la colpa è mia perché fino dal principio coll’esempio" del P. Colbachini il quale mi esortò di essere indulgente e compassionevole ed hanno preso quella piega ed usanza e non son più capace di rimediare a quel che si è fatto. E che cosa si poteva fare dal principio; che cosa si poteva esigere da coloro che non ne avevano? Tanti e tanti non venivano a messa ´per essere quasi ignudi? Ed è per questo che ho sempre tenuto sempre la mia casa spoglia anche del necessario, perché mi piaceva dare agli altri. Il compianto mio superiore Monsignor Scalabrini quando mi mandò qui mi disse: quale programma adotterete voi con quei poveri coloni? Risposi: quello che mi comanderà Vostra Eccellenza. Se mi manda affinché metta assieme qualchecosa per aiutare l'Istituto, allora mi adotterò ad un programma pecuniario; mi troncò la parola e mi disse: Charitas Christi urget nos.! e così feci. Gli ultimi venuti mi danno del minchione: avete lavorato per poco e per niente! E questo perché? perché nella loro testa hanno un programma diverso; pecunia, buoni bocconi, comodità urget nos. ed io con tali soggetti desidero non incontrarmi più, né a questo mondo né a quell'altro mondo. Se si vuole si può dare benissimo ed a sufficienza anche all’Istituto senza tanto angariare il povero colono. Al Novo Bassano hanno già cominciato la lotta a cagione del volere e del dare; ne dicono d’ogni colore, a me tali cose dispiacciono, e porto vergogna e rossore.
In quanto alla nostalgia del P. Giorgio, presi un granchio e però era invece angoscia, povero figliolo. Io non poteva saperlo, nulla nulla mi aveva detto. Io vedevo piangere, nominava il padre e la madre, i fratellini e null’altro mi diceva. Io, intanto, mi adoperava di apparecchiare dei buoni manicaretti, e non faccio per dire, erano manipollati da mano maestra, onde fargli passare la malinconia, ma tutto fu invano. Lo misi alle strette e mi feci dire il tutto; e intesi che in sua casa mancava il pane e anche la polenta; e che egli sì trovava si ben trattato dallo spilorchio de Barba Toni; chiacchere tutte uscite dalla bocca del mio eterno tormento. Allora dissi e ci vuole tanto; allora togliamo dalla nostra tavola pane, carne e vino accontentiamoci di un cibo frugalissimo come feci sempre, come feci quando regalava qualche cosa ad altri; e daremo ai vostri qualche cosa che abbiano a passare l’inverno. Fu così stabilito ed ho spedito ai suoi 100$000 mila reis e 7$000 erano suoi, cioè del padre Giorgio, ed il resto l'ho dato io. a quel giorno fu sempre allegro; lavora, e con buona volontà e tutti siamo contenti; ha una tattica speciale e si fa pagare bene senza irritare nessuno e va molto bene. Se facessi io così, mi lapiderebbero, ma egli ha proprio una maniera speciale ed io mi godo immensamente. Anche al Turvo lo pagano bene per ora; per l'avvenire non si sa.
Ho ceduto la mia camera, letto e cavallo, il quale gli fa un ottimo servizio. L’ho provveduto di burrache nuove, stivali di coro di russia(?), e due paia di calzoni, e tutto il necessario per andare in missione, compreso poncho ecc. Per ultimo anche, come la chiamano qui, la lanterna magica. Io fui servile e pagai la servitù, e sono due: ho sempre provveduto il necessario in casa, senza riceverne da lui neppure un reis. Più di settecentomilreis mi costò la venuta del Giorgino. Ho rifatto a nuovo quattro letti, provveduto di biancheria, coperte nuove, stoviglie ecc. con del vino generoso. Comprai e pagai al P. Massimo catechismi, libri ed altre cianfrusaglie, le quali non mi diedero nessun risultato pel valore di duecento e trenta e quattro milreis.
Il padre Carlo ed il P. Medicheschi furono al campo ad al Turvo, mi portarono gli assenti di 270 battesimi da registrare , ma né uno né l'altro non mi diedero neppure un reis. E di tali organi spero di non incontrarne più, ed incontrandone sarebbe proprio un incontro funesto e dannoso pel povero Barba Toni = Il mio eterno tormento mi scrisse, tra le altre cose, anche la seguente: voi venendo in Italia dovreste portare almeno cinque mila lire; ed io dico che, se tardassi a partire, a ha scarso terreno di avere il viaggio. E’ ben vero che lascio al confratello di qui tutto il necessario e ben provvisto di tutto, e potrà facilmente spedire all'Istituto tutti i suoi risparmi. Se dopo fatta la cura non mi avessi a sentire in forza di andare in missione, allora non saprei neppure io che cosa farò. Quello che Le dico è che non mi sento di mangiare il pane del giubilato, e nol farò. In quanto poi nel caso che non potessi partire per le missioni, ai vescovi non domanderei certamente nulla, né curazie, tanto meno parrocchie; ne ho una indigestione di curazie e mi basta così. Se solo la messa mi dovrà bastare e se non bastasse supplirebbe l’elemosina. Trovandomi nei miei passati giorni in necessità, non ho mai avuto vergogna nel domandare ai facoltosi un tozzo di pane; così farei per l’avvenire, se mi troverò nel bisogno.
Ho scritto al padre Massimo di venire alla Capoeiras, non so se verrà. Siamo d’intelligenza col Vicario di Bento Gonçalves Don Angelo Donato di fare la traversata in compagnia. Viene anche lui in Italia, verso la fine di marzo fu stabilita la partenza da qui.
I lavori della nuova chiesa continuano. L'Intendenza mi ha aiutato un po’ e mi promise di aiutarmi ancora. Il delegato mi promise che andando alla posa del nuovo Presidente darà un memoriale, affinché mi abbia a dare un adiutorio. Fui a visitarlo con alcuni amici, restò soddisfatto e fu allora che mi domandò se il governo mi aveva mai dato niente; io dissi di no. Farò una domanda per lei. Si trova ancora a Porto Allegre. Vedremo nel suo ritorno che cosa mi dirà. Ne ho poca fede.
Con questa mia lunga e lunghissima chiacchierata L’avrò stancato. Ma è bene, a mio giudizio, che il Superiore Generale sappia come stanno le faccende di qui. Mi compatirà e mi perdonerà, se avrò detto qualche cosa fuori di luogo. Che vuole, con questo temporalaccio con tuoni e lampi l’acqua viene a catinelle e sembra un finimondo, frana la terra, l’acqua entra dappertutto ed io qui al tavolo non mi muovo e voglio terminare, onde se cessasse di piovere , vorrei mettere la lettera in posta questa sera, per non perdere il turno.
Distintamente la riverisco dichiarandomi della Rev. V. Rev.ma Umile conf. e servo
P. Antonio Seganfreddo
Un saluto distinto al Rev. P. Serraglia, a Brescianini e confratelli.
Memento mei.
Osservazioni
Si tratta di un linguaggio di cui oggi molte parole non si usano più. Per di più lo scritto è piuttosto popolare come di persona che scrive con un linguaggio popolare e piuttosto limitato
Come scrivo é 99% uguale alla lettera manoscritta
Memento Mei - ricordati di me
réis- unità monetaria utilizzata in Brasile fino al 1942.
Turvo- oggi comune di Protásio Alves
Campi di Vacaria e Lagoa Vermelha - Padre Antonio ha visitato anche i campi degli allevatori di bovini, cavalli e pecore, generalmente contadini luso-brasiliani
-alcuni termini usati come "il vecchio prete" -non so a chi si riferisse, non a Mateo Pasqualli perché morì nel 1906... sarebbe lui il vecchio prete? ma ero malato.. quindi non posso dirlo
-il 25 aprile 1908 si recò a Porto Alegre e fu sottoposto a un intervento chirurgico, probabilmente presso la Santa Casa de Misericórdia. Redovino Rizzardo scrive che “nei giorni precedenti l’operazione si dedicò interamente agli immigrati italiani a Porto Alegre, completamente abbandonati.
Redovino Rizzardo scrive anche che nel 1910 lasciò la Parrocchia di Capoeiras nelle mani di Padre Carlos Porrini e nel 1911 tornò in Italia per curarsi. Nel marzo 1912 tornò a Rio Grande do Sul, fu inviato a servire la comunità di Farroupilha ma morì nel dicembre 1912, a Porto Alegre, nella stessa Santa Casa de Misericórdia.
Secondo Alessandro Seganfreddo, in Italia rimase nella stessa casa da cui erano partiti per emigrare, quella del fratello Luigi.
Da ciò deduciamo che non ricevette il denaro per il viaggio nel 1908 e che morì senza aver celebrato il Giubileo della Congregazione.
Dopo la morte di Giovanni Battista Scalabrini, è scritto nel libro Radici di un popolo di Redovino Rizzardo che la Congregazione subì un processo di ristrutturazione, e fu lasciata in uno stato di “profondo affidamento”!per alcun tempo….
Bulgari _ un termine che si usava - del francese bougre, del latino medioevo bulgàrus, selvático, pagano
anche in Brasile che si riferisse ai popoli “ non cristiani,” oggi il termine “ bugres” come si diceva nel passato non si usa più ma si “ popoli originari” Si dice anche che questo termine è dato per via dei “ Bulgari, o sia i abitanti della Bulgaria “ che resistirano a conversione al cristianesimo. Pagani. Sensa dubbio che gli indigeni che si sono presentati in città fuggissero dalle loro terre e chiedessero cibo; probabilmente una minoranza di Kaingang era andata a cercare aiuto, probabilmente stavano morendo di fame. Come sappiamo, ancora oggi donne e bambini vengono a vendere prodotti artigianali e a chiedere vestiti. Sfortunatamente, chiunque possedesse tutta questa terra intorno al 1850, si trovava già nelle riserve (determinate dai governi) e quando arrivarono gli immigrati italiani, questi ebbero pochi o nessun contatto con la popolazione indigena.
borrache -sarebbe borracia, cantil in portoghese- molte parole fuori di usanza
A mio parere, poiché padre Antonio Seganfreddo fu il secondo missionario scalabriniano ad arrivare alla missione di Alfredo Chaves, visse anni di miseria sua, dei coloni, dei suoi parenti, di tutti, e si sentì sminuito proprio perché non era in grado di far pagare le dovute tasse ai poveri coloni. Fu così offeso che ancora oggi non sappiamo dove fu sepolto.
La lettera, poiché affronta molti argomenti, può sembrare un po' confusa, soprattutto perché l'autore era malato e scriveva a lume di candela.
Sono aperte altre osservazioni. Questa lettera è un lamento.
Migliorare la visibilità dei manoscritti : Fernanda do Canto
Fonti di ricerca: Archivio dei Padri Scalabriniani di Roma
Radici di un popolo di Redovino Rizzardo-Vescovo di Dourados-in memoriam
Nova Bassano - dalle origini agli albori del XX secolo - Laurindo Guizzardi - in memoriam
Ricerca di Laurindo Guizzardi - Vescovo emérito de Foz do Iguaçu - in memoriam
Racconti dei parenti Brasile.Italia- Alessandro Seganfreddo