GUERRA GUARANÍTICA

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A RESISTÊNCIA
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segunda-feira, 25 de novembro de 2024

CARTA COM O RELATO DA MORTE DO PADRE PIETRO COLBACCHINI- EM PORTUGUÊS


Padre Antonio Seganfreddo escreve ao padre Rolleri sobre a morte  do padre Pedro Colbacchini-Fundador de Nova Bassano




Capoeiras  1 de fevereiro de 1901


Com muito pesar devo lhe comunicar uma triste notícia.

No dia trinta de janeiro  ás 10 horas da manhã faleceu o Padre Pedro Colbacchini.

Celebrou a missa pela manhã , depois deu ordens aos trabalhadores que estavam construindo a nova igreja . Lamentou -se que sentia dores no coração.. Em seguida dirigiu-se a sua casinha e deitou-se na cama. Chamou a servente e falou-lhes”_Não chame ninguém , quero morrer sozinho  e sem ser perturbado.”A servente ao ouvir essas  palavras deu um grito. Os trabalhadores que estavam a apenas 50m de distância acorreram, mas ele já estava morto.

O padre Antonio Serraglia estava em viagem, a uns 40 km de distância e eu a 12 km, em Capoeiras.

O Padre Pietro Colbacchini no dia 27 de janeiro saiu a cavalo para  visitar uma capela a 20 km de distância e voltou no dia 29. O caminho que ele percorreu era uma trilha no meio do mato, desabitada, por isso correu o risco de morrer pelo caminho.

Vieram até mim dois mensageiros para me relatar o ocorrido e outros foram procurar o padre Antonio Serraglia. Eu parti imediatamente a cavalo, galopando e cheguei lá depois do meio dia, porém nada pude fazer pela vida do padre Pedro a não ser chorar e rezar pela sua alma.

Comecei a organizar tudo pois  estava tudo desordenado.Mandei chamar as autoridades e os colonos das linhas ao redor. Em poucas horas a praça e a Igreja estavam  cheias de pessoas . Eu dei início ao velório e rezamos .Aguardei até a meia noite esperando o padre Serraglia chegar, mas  nada ainda. No outro dia aguardei até às nove horas da manhã e ainda não havia chegado o padre Antonio Serraglia. Comecei os ritos fúnebres  rezando alguns Padre Nossos e outras orações , a missa a celebrei cantada, incluindo o Libera Me Domine e em seguida acompanhei o féretro  em procissão até   a sua  última morada .. . O túmulo já estava pronto e as autoridades  constatando morte natural haviam ordenado que era preciso sepultar o cadáver,pois já era meio dia. Eu não sabia o que dizer e nem o que fazer.  Repentinamente a multidão começou um murmúrio e depois a gritar em uníssono “- Padre Antonio, Padre Antonio!” Era ele mesmo que vinha a todo galope e parecia que o cavalo tinha asas nas patas.  Em um segundo o padre Antonio já estava ali entre nós. Foi um momento  terrível! Quando ficamos nós dois frente a frente começamos a chorar . Creio que até os piores inimigos do Padre Pedro teriam  chorado   nesta hora. !

O padre Antonio Serraglia quis ver pela última vez o vulto do Padre Pedro mas teve de descer até a cova. Abriram o caixão e ele depositou um beijo na fronte do Padre Pietro Colbacchini.

Depois de sete horas de viagem sem comer e debaixo de um sol escaldante subitamente o padre Antonio Serraglia sentiu-se mal e uma forte febre o acometeu. Eu temi pela vida dele.  Porém ja no outro dia a febre cedeu ele sentiu-se melhor e deixou o leito. 

Enquanto as autoridades estavam ali presentes procuramos o testamento do padre Pedro mas não encontramos nada. O agente consular queria bloquear os terrenos mas os colonos não quiseram, porque os mesmos como não havia testamento os consideraram já pagos… É um problema que vai me dar dor de cabeça ! Mas paciência! Faremos o melhor. Telegrafamos ao prior e vamos ver o que ele dirá. 

Reze por nós e faça rezar por nós!  Recomende-nos  ao sr bispo e aos nossos coirmãos.

Com estima e afeto 

 Padre Antonio Seganfreddo.

  


Observações:


O testamento que procuraram era um possível existente que o Padre Pietro Colbacchini teria feito determinando para quem ficariam os bens materiais, terrenos para a construção da Igreja lotes para o povoado pois comprou com o próprio dinheiro


Como o testamento não foi encontrado, segundo parecer de Vilmar Antonio Troian, uma hipótese é que teria deixado uma procuração assinada nas mãos de algum dos amigos colonos.


Também alguns citam que teria adquirido 70 hectares em terrenos, mas não encontramos comprovação.

a observação do padre Antonio Seganfreddo sobre “que o agente consular queria bloquear os terrenos mas os colonos não quiseram pois estes do momento da morte do padre Colbacchini ficariam grátis para eles” sugere que alguém teria comprado lotes para abrir comércio mas na ausência de herdeiros  e testamento não pagariam mais, caso tivessem comprado a prazo.

 Não encontrei nada sobre este assunto registrado  em pesquisa.


Sobre a inimizade do Padre Antonio Seganfreddo com o padre Pietro Colbacchini começou quando o primeiro não quis ir morar na futura Nova Bassano e quis permanecer em Capoeiras.Também os temperamentos eram diferentes. O Padre Antonio trabalhou por um bom tempo na abertura da estrada Buarque de Macedo e assim tinha mais facilidade em se misturar com os colonos .Não era de muita oração mas de ação.


Sobre inimigos do padre Pedro li que nem todos os colonos concordavam com as decisões do Padre Pedro nos assuntos propostos e ele por sua vez como era o chefe da

missão não aceitava desobediência.



domingo, 17 de novembro de 2024

A CARTA DE NOVE DE FEVEREIRO DE 1906, INTERPRETADA, VISTO QUE PARECE NÃO SER O ITALIANO OFICIAL-EM ITALIANO E PORTUGUÊS

 

Molto Rev. Superiore Generale

 

Capoeira, 2 de febraio 1906

 

Le partecipo tristissime notizie di questa povera colonia.  Le cavallette distrussero tutto . Le nuove non hanno ancora le ali e i saltoni vanno da una linea all’altra e dove passano lasciano  lo squallore e la miseria.  La fame in alcune localitá è all'ordine del giorno. Oltre alle cavallette  abbiamo una siccità spaventosa, manca l’erba per gli animali, in una parola manca tutto il necessario all’esistenza, 

FIAT VOLUNTAS TUA

 

Io  ho avuto sempre buona intenzione di aiutare l'Istituto, ma nelle condizioni in cui mi trovo , non posso fare, come sarebbe mio desiderio.

Il 24 del corrente mese deve partire da qui una persona di mia fiducia e deve andare a Porto Alegre , con tal mezzo le spediró italiane seicento lire e forse più. Se cesseranno i flagelli, cioè cavallette e siccità , faró per l’Istituto più che posso.

 La notizia della partenza del P. Serraglia da questa colonia ha prodotto effetti  favorevoli  e contrari, cioè il contento dei suoi calunniatori e il lamento dei coloni.  I calunniatori dicono  “- abbiamo raggiunto il nostro intento , i superiori lo castigano di   essere a scaloni inferiori  ,lasciano  il padre Serraglia nell'abbandono proprio nel momento della loro massima sventura, quando si trovano ridotti nella miseria e fame,”

Dipiu dicono”- ora che ha saccheggiato  il nostro denaro  se ne va a goderlo in Italia, lasciando un padre nuovo che non abbiamo nessuna fiducia.

Il padre Serraglia mi pregò di scrivere a Vostra Reverendíssima. come stanno quelle “fazendas!” , e egli apella da V.Rev.ma.  Superiore Generale una 'ultima parola , .ma è poco disposto ad attraversare l'Atlantico . Se Rev. Superiore lo vuole verrà , ma a malincuore , appunto perché i coloni si trovano nell’estrema miseria e vorrebbe dividere con loro , come parocco il dolore della fame.

 

  Io tiro avanti meglio che posso ma i lunghi viaggi mi cansano immensamente  e domando per atto di grazia provvedimento , ma se mandarà provveduto conforme i  bisogni faccio conto di morir .combattendo, e voglio esprimere che  non sarà lontano il giorno del mio  perpetuo riposo.  Lascio questa cura soltanto quando sarà provveduta da un confratello che non sia poltrone e delicato; altrimenti manterrò la parola e starò qui.

Abbiamo un calore insopportabile , e questi buoni coloni mi tengono in continuo movimento , il calore eccessivo produce malatie di tifo, e devo correre da un punto cardinale all”altro, povero Barba Toni un giorno o l’altro prenderai una insolazione e andrai ai vasti Campi Elisi . E viva!

.Io prego di far recitare dai cappellani dell”Istituto litanie al povero Barba Toni , che ne ha tanto bisogno, delle preghiere   .

 

                                                                                     umile  servo

               P.Antonio Seganfreddo

     







Osservazione :

 

   Dai anni 1906 a 1908 le colonie hanno sofferto i flagelli delle cavallette e siccità e malattie .

Già da quest'anno aveva assunto la direzione dell'Istituto Padre Domenico Vicentini

 Padre Domenico Vicentini fu il primo missionario scalabriniano ad essere inviato nel Rio Grande do Sul. Fu inviato dal vescovo di Rio Grande do Sul a lavorare a Encantado

 Abbiamo documenti che dal 1906 al 1908, parte delle colonie del Rio Grande do Sul subirono lunghe siccità che favorirono la comparsa di nugoli di cavallette che distrussero i raccolti.

A padre Antônio Serraglia, che lavorò con padre Pedro Colbachini nel 1906, fu ordinato di tornare in Italia e di essere rettore della casa madre di Piacenza, ma non vi rimase a lungo e tornò in Brasile lavorando in diverse località.

Barba  Toni era il nikaneme di Padre Antonio Seganfreddo

Il Istituto  riferito è quello di Piacenza

 

 Em português-  interpretação 



Carta do dia  nove de fevereiro de 1906.

Escreve ao Superior Geral dos Scalabrinianos na Itália falando de pragas de gafanhotos, seca e doenças inclusive tifo.

 

                                     Reverendíssimo Superior Geral

                                                                                                                                                                                                                    

               Informo tristíssimas notícias desta pobre colônia. Os  gafanhotos destruíram tudo. Os saltões ainda não têm as asas e vão de uma linha a outra e por onde passam deixam  a miséria  e a frustração.  A fome em  algumas localidades  está na ordem do dia.

                 Além dos gafanhotos  estamos passando por uma grande seca e falta o pasto para os animais. Resumindo, falta tudo o que é necessário para a existência.

                     FIAT VOLUNTAS TUA  ( SEJA FEITA A VOSSA VONTADE)

               Eu sempre tive boas intenções em ajudar o Instituto , mas nas condições em que me encontro não posso fazer mais, como é o meu desejo.

   No dia 24 do corrente mês deve partir daqui uma pessoa de minha confiança  e irá expedir  cerca de 600 liras italianas ou até um pouco mais.   Caso cessarem os flagelos dos gafanhotos e da seca poderei fazer mais pelo Instituto.

  A notícia da partida do padre Serraglia desta colônia provocou efeitos diversos. Os caluniadores dizem:_” é bom que ele vá embora, conseguimos o nosso intento. Os superiores o castigarão e o colocarão em escalões inferiores . O padre Serraglia ficará abandonado no momento da sua máxima desgraça quando estão reduzidos  à miséria e a  fome.” E dizem também :”-ele pilhou o nosso dinheiro  e vai  para a Itália aproveitá-lo.” deixará  um padre novo, no qual  não temos nenhuma confiança.”

               O padre Serraglia me  incumbiu  que escrevesse a Vossa Reverendíssima como estão aquelas fazendas )e apela ao Reverendíssimo Superior Geral  um  último pedido , mas está pouco disposto a atravessar o Atlântico.   Mas se o Reverendíssimo .Superior Geral o  quer lá  ele irá , ,mas de má vontade porque os colonos se encontram na extrema miséria e   ele deseja  dividir com eles , como  pároco ,  a dor  da fome.   

 Eu trabalho mais que posso, mas as longas viagens me cansam muito.  Peço a graça de providenciar um coirmão para me ajudar, se tal não for possível ficarei até que alguém venha me substituir , mas deve ser alguém que tenha saúde suficiente para enfrentar as adversidades, caso contrário eu ficarei aqui e vou morrer combatendo. Quero dizer  que o dia do meu descanso eterno não está longe . Deixarei essa paróquia  somente quando tiver um substituto à altura, que não seja delicado demais para fazer esse trabalho, pois manterei minha palavra e ficarei aqui.

  Aqui faz um calor insuportável, e os bons colonos me deixam em constante movimento O calor exagerado favoreceu o aparecimento de doenças como o tifo , e devo ir de um ponto cardeal a outro para atender os doentes.

Pobre Barba Toni! Um dia ou outro sofrerei  uma insolação e irei para os vastos Campos Elíseos. E viva!

Peço aos  capelães do Instituto  que  recitem as ladainhas  por  mim, pobre Barba Toni , que necessito tanto  de ajuda.

                          Humilde servo

                               

                              Pe Antônio Seganfreddo.

 

 

 

Nota: o padre Domênico Vicentini neste ano já havia assumido a direção do Instituto

               O Padre Domênico Vicentini foi  o primeiro missionário scalabriniano a ser enviado ao Rio Grande do Sul , foi enviado pelo bispo do Rio Grande do Sul a trabalhar em Encantado

               Temos registros de que do ano 1906 a 1908 a parte das Colônias no Rio Grande do Sul sofreram longas estiagens que favoreceram o aparecimento de nuvens de gafanhotos que destruíram as plantações  e também em consequência doenças como o tifo.

O padre Antônio Serraglia que trabalhou com o padre Pedro  Colbacchini  e  em 1906 recebeu a ordem de voltar para a Itália e ser reitor da casa-mãe, em Piacenza, porém não ficou muito tempo lá e voltou para o Brasil trabalhando em várias localidades.

Barba Toni era o apelido do Padre Antônio e significa  Tio Antônio. 

O Instituto a que ele se refere é a casa mãe, Piacenza, onde estudavam os seminaristas para se tornar missionários

 

 

 créditos das cartas melhoradas para leitura: Fernanda do Canto

Fonte: Arquivo da Congregação de São Carlos em Roma

Raízes de um povo - Redovino Rizzardo



Carta do padre Antonio Seganfreddo, missionário scalabriniano no Rio Grande do Sul

Esta carta é dirigida ao Padre Domênico Vicentini, que foi o primeiro missionário scalabriniano na missão do Rio Grande do Sul. O Padre Antonio Seganfreddo, o segundo missionário, escreve para informar sobre a missão. Uma severa seca, acompanhada de intenso calor, propiciou a formação de nuvens de gafanhotos; o pasto secou, resultando em fome e doenças, especificamente o tifo. O Padre Domênico Vicentini estava na Itália, atuando como reitor do seminário de Piacenza, cargo que assumiu após o falecimento do bispo Giovanni Battista Scalabrini, conhecido como o bispo dos emigrantes.


De acordo com relatos históricos, esses fenômenos perduraram por três anos: de 1906 a 1908, provocando extrema escassez, fome, doenças e mortes.